Um dia nos consideramos a obra mais perfeita da natureza, para num repente percebermos que há em nós uma incompletude tal que põe em cheque esta perfeição.Diante do amor não somos demasiadamente novos ou velhos, somos intrinsecamente a essência do que sentimos. Por isso devemos cuidar, pois que amar é o ato paradoxal de precisar visceralmente e ao mesmo tempo prescindir do outro acima de tudo, e isto é também abrir mão de um pouco do que somos. O ato de amar é por si algo que nos impõe ao reconhecimento de não sermos o bastante para nós mesmos, e ainda que sendo assim é nosso desejo bastarmos a quem amamos. Amar gera o desconforto de abrir mão do sermos plenos em nossa solidão, é perder um pouco da paz interior. Por amor nos pomos livres a caminhar tranqüilamente à margem de um desconhecido. É o amor que nos liberta para nossa própria desapropriação.
Fonte: Centopéia 12 - Exercício poético Luna & Amigos
© Clivânia Teixeira
21 de fevereiro de 2010
viver a vida
O olhar é mágico quando insere no âmago da apreensão a simbiose entre o racional e o emocional. Há que se ter uma certa poesia para escrever a prosa da vida, há que se ter um traço mais reto para escrever com simplicidade o cotidiano. O olhar poético confere ao ato de perceber uma visão mais assertiva diante da vida e proporciona mais prazer ao agir. Há que se ter olhos de mundo para observar o simples. Há que se ter o olhar simples de criança diante da seriedade que impera no mundo. Este caminhar firme de mãos dadas com abstração é o atrito perfeito que nos leva a ir mais além. A flexibilidade, a acuidade infantil diante do banal, o desfrutar da mesmice como se tivesse diante de si a oitava maravilha do mundo. É este olhar espantado de quem tudo vê pela primeira vez, é o agir sempre com o prazer de recomeço. Olhar a vida como uma obra de arte e de cada vez perceber que a arte está na transformação e no renascimento.
Fonte: Centopéia 13
© Clivânia Teixeira
Fonte: Centopéia 13
© Clivânia Teixeira
olhar que advinha
E assim a alma inteira explode na intensidade do olhar de quem ama. Colhe-se aí a voz do pensamento, o resultado ímpar da cumplicidade com o outro. Olhar apaixonadamente significa expressar a combustão dos sentimentos que aquece o íntimo dos seres. Porque o olhar resume em si a forma mais simples de dizer ao outro, o que muitas vezes transformar em palavras , empobrece.
Fonte: Centopeia 4
© Clivaria Teixeira
Fonte: Centopeia 4
© Clivaria Teixeira
16 de fevereiro de 2010
Amizade Estelar
Muitas vezes tentei ir embora do lugar onde imaginei só nosso. De cada vez que arrumava a tal bagagem imaginária, esbarrava nas lembranças deste nós, que verdadeiramente jamais existiu.
Conhece a sensação de nada sermos quando estamos no escuro? Um mundo que silencia e se apaga, enquanto permanecemos ali imóveis, com uma mão ausente de tudo e outra repleta de nada.
A princípio não sabemos aonde ir e tudo o que pudermos pronunciar, seja uma prece ou o nome ausente, parece inútil, o som morre na garganta, escoando num abismo sem ouvido.
Dia houvesse em que nos esquecêssemos recostados ao amontoado das lembranças, poderíamos nos reencontrar nas páginas de um livro recheado de ausências, seria demasiado fácil reconhecer-nos.
Era como se a qualquer momento uma página virasse e uma janela se abrisse, dali poderia acenar enquanto refletia sobre o que lia.*
Os dedos de uma mão marcavam firme a folha, o olhar perscrutava a alma em busca desse algo distante e imponderável, um tudo que se assemelhava com a quase proximidade que desfrutamos um dia.
Neste amanhã, como ontem, como agora, pairamos num meio, num quase, e no infinito se estabelece a certeza de que será sempre assim, mas nada dói. Apenas nos tornamos mutuamente previsíveis e capazes de nos encantarmos na mesmice.
Já não existe a inquietude de antes, aprendi que em cada reencontro somos cada vez mais bem-vindos um ao outro. Uma amizade que por vezes se confunde com amor.
*
"Nós éramos amigos e nos tornamos estranhos um para o outro. Mas está bem que seja assim, e não vamos nos ocultar e obscurecer isto, como se fosse motivo de vergonha. Somos dois barcos que possuem, cada qual, seu objetivo e seu caminho; podemos nos cruzar e celebrar juntos uma festa, como já fizemos e os bons navios ficaram placidamente no mesmo porto e sob o mesmo sol, parecendo haver chegado o seu destino e ter um só destino. Mas então a toda poderosa força de nossa missão nos afastou novamente, em direção a mares e quadrantes diversos e talvez nunca mais nos vejamos de novo ou talvez nos vejamos, sim, mas sem nos reconhecermos: os diferentes mares e sóis nos modificaram! Que tenhamos de nos tornar estranhos um para o outro é lei acima de nós: justamente por isso devemos nos tornar também mais veneráveis um para o outro! Justamente por isso deve-se tornar mais sagrado o pensamento de nossa antiga amizade! Existe provavelmente uma enorme curva invisível, uma órbita estelar em que nossas tão diversas trilhas e metas estejam incluídas como pequenos trajetos elevemo-nos a esse pensamento! Mas nossa vida é muito breve e nossa vista muito fraca, para podermos ser mais que amigos no sentido dessa elevada possibilidade.- E assim vamos crer em nossa amizade estelar, ainda que tenhamos que ser inimigos na Terra.” (Nietzsche – A Gaia Ciência – Livro IV)
© Clivânia Teixeira
Conhece a sensação de nada sermos quando estamos no escuro? Um mundo que silencia e se apaga, enquanto permanecemos ali imóveis, com uma mão ausente de tudo e outra repleta de nada.
A princípio não sabemos aonde ir e tudo o que pudermos pronunciar, seja uma prece ou o nome ausente, parece inútil, o som morre na garganta, escoando num abismo sem ouvido.
Dia houvesse em que nos esquecêssemos recostados ao amontoado das lembranças, poderíamos nos reencontrar nas páginas de um livro recheado de ausências, seria demasiado fácil reconhecer-nos.
Era como se a qualquer momento uma página virasse e uma janela se abrisse, dali poderia acenar enquanto refletia sobre o que lia.*
Os dedos de uma mão marcavam firme a folha, o olhar perscrutava a alma em busca desse algo distante e imponderável, um tudo que se assemelhava com a quase proximidade que desfrutamos um dia.
Neste amanhã, como ontem, como agora, pairamos num meio, num quase, e no infinito se estabelece a certeza de que será sempre assim, mas nada dói. Apenas nos tornamos mutuamente previsíveis e capazes de nos encantarmos na mesmice.
Já não existe a inquietude de antes, aprendi que em cada reencontro somos cada vez mais bem-vindos um ao outro. Uma amizade que por vezes se confunde com amor.
*
"Nós éramos amigos e nos tornamos estranhos um para o outro. Mas está bem que seja assim, e não vamos nos ocultar e obscurecer isto, como se fosse motivo de vergonha. Somos dois barcos que possuem, cada qual, seu objetivo e seu caminho; podemos nos cruzar e celebrar juntos uma festa, como já fizemos e os bons navios ficaram placidamente no mesmo porto e sob o mesmo sol, parecendo haver chegado o seu destino e ter um só destino. Mas então a toda poderosa força de nossa missão nos afastou novamente, em direção a mares e quadrantes diversos e talvez nunca mais nos vejamos de novo ou talvez nos vejamos, sim, mas sem nos reconhecermos: os diferentes mares e sóis nos modificaram! Que tenhamos de nos tornar estranhos um para o outro é lei acima de nós: justamente por isso devemos nos tornar também mais veneráveis um para o outro! Justamente por isso deve-se tornar mais sagrado o pensamento de nossa antiga amizade! Existe provavelmente uma enorme curva invisível, uma órbita estelar em que nossas tão diversas trilhas e metas estejam incluídas como pequenos trajetos elevemo-nos a esse pensamento! Mas nossa vida é muito breve e nossa vista muito fraca, para podermos ser mais que amigos no sentido dessa elevada possibilidade.- E assim vamos crer em nossa amizade estelar, ainda que tenhamos que ser inimigos na Terra.” (Nietzsche – A Gaia Ciência – Livro IV)
© Clivânia Teixeira
15 de fevereiro de 2010
do real para o imaginário concreto
Alguns escrevem sobre os momentos por um estado ébrio da mente, outros por uma tristeza que desencarna o corpo ao imponderável do ser, e entre tantos existem aqueles que são abduzidos da realidade simplesmente por que chove, estes são visceralmente na essência, a mais pura emoção.
Chove.
Poderia se dizer destes momentos, coisas absolutamente infantis, algo como “a chuva cai de pinguinhos”, mas vai-se ao subjetivo, a essência, simplesmente para acordar.
No ninho e subterfúgio da alma, desperta. Neste imaginar diáfano de coisas sensíveis é possível ouvir as gotas sorrateiras deslizando na vidraça, só de imaginar o vento lá fora sente o arrepio no murmúrio dos corpos quentes.
Neste corpo devassa a alma do corpo que é cativo, é o fim que se traduz em si mesmo, um simples recostar na encosta do peito eleito para amar entre as dobras de cobertas aconchegantes. O gesto é impessoal, mas definitivamente intransferível.
Poderia dizer um nome, mas prefere dizer que neste momento, escandalosamente feliz, é apenas uma mulher romântica apta a fazer poesia dos momentos em que a sensibilidade aflora e não pode dar cabo de si, poderia dizer que é uma inspiração latente, mas isso seria interpretado com um desejo inacabado. As conclusões banais acabam por ser o lugar comum dos medíocres.
Estes recantos abissais se revelados simplesmente se dissipariam, mais apropriado é o contorno do etéreo à possibilidade remota de qualquer frustração, aqui se pode decantar a fantasia, aqui esse tudo é naturalmente e essencialmente nosso, uma obra que se traduz em algo mais que prazer de corpos, é puro deleite da alma que perdura.
Sim, nem só de poesia vive o homem, a fome do pão no corpo não pode ser superior a capacidade de dominá-la, nas superações aprendemos a apreciar o intangível, isso proporciona um êxtase em que o sentir e o descrever não ocupam o mesmo sentido.
Ao final há o reconhecimento do absurdo que se demonstra na expressão destes momentos, mas fica o convite para jamais deixar esse inusitado ir de qualquer SER. Há quem diga que desta matéria todos são feitos. Ao fim e ao cabo nunca se deve deixar de expressar as coisas da alma, mesmo que a mesmice da vida conclua que essas ilações são ridículas.
© Clivânia Teixeira
Chove.
Poderia se dizer destes momentos, coisas absolutamente infantis, algo como “a chuva cai de pinguinhos”, mas vai-se ao subjetivo, a essência, simplesmente para acordar.
No ninho e subterfúgio da alma, desperta. Neste imaginar diáfano de coisas sensíveis é possível ouvir as gotas sorrateiras deslizando na vidraça, só de imaginar o vento lá fora sente o arrepio no murmúrio dos corpos quentes.
Neste corpo devassa a alma do corpo que é cativo, é o fim que se traduz em si mesmo, um simples recostar na encosta do peito eleito para amar entre as dobras de cobertas aconchegantes. O gesto é impessoal, mas definitivamente intransferível.
Poderia dizer um nome, mas prefere dizer que neste momento, escandalosamente feliz, é apenas uma mulher romântica apta a fazer poesia dos momentos em que a sensibilidade aflora e não pode dar cabo de si, poderia dizer que é uma inspiração latente, mas isso seria interpretado com um desejo inacabado. As conclusões banais acabam por ser o lugar comum dos medíocres.
Estes recantos abissais se revelados simplesmente se dissipariam, mais apropriado é o contorno do etéreo à possibilidade remota de qualquer frustração, aqui se pode decantar a fantasia, aqui esse tudo é naturalmente e essencialmente nosso, uma obra que se traduz em algo mais que prazer de corpos, é puro deleite da alma que perdura.
Sim, nem só de poesia vive o homem, a fome do pão no corpo não pode ser superior a capacidade de dominá-la, nas superações aprendemos a apreciar o intangível, isso proporciona um êxtase em que o sentir e o descrever não ocupam o mesmo sentido.
Ao final há o reconhecimento do absurdo que se demonstra na expressão destes momentos, mas fica o convite para jamais deixar esse inusitado ir de qualquer SER. Há quem diga que desta matéria todos são feitos. Ao fim e ao cabo nunca se deve deixar de expressar as coisas da alma, mesmo que a mesmice da vida conclua que essas ilações são ridículas.
© Clivânia Teixeira
a palavra à toa
"Palavras não existem
fora da nossa voz as
palavras não assistem
palavras somos nós"
(CRUZ, Gastão. "A doença". Os poemas. Lisboa: Assírio & Alvim, 2009)
um alarme toca na ponta dos dedos
rabisco sem pontos sem vírgulas
sem compromisso esbarro em mim mesmo
insulto com termos que mordem
como pode ter sentido o não sentido
se a palavra inexplicavelmente é um poema
no céu aberto de mim mesmo
aprecio este estardalhaço na calma
no espaço em mim que desconheço
a palavra anda descalça
entrelinhas que se cruzam
mensagem subjacente
do simples olhar que não se cruza
debruçada na janela da metamorfose
transforma-se
© Clivânia Teixeira
fora da nossa voz as
palavras não assistem
palavras somos nós"
(CRUZ, Gastão. "A doença". Os poemas. Lisboa: Assírio & Alvim, 2009)
um alarme toca na ponta dos dedos
rabisco sem pontos sem vírgulas
sem compromisso esbarro em mim mesmo
insulto com termos que mordem
como pode ter sentido o não sentido
se a palavra inexplicavelmente é um poema
no céu aberto de mim mesmo
aprecio este estardalhaço na calma
no espaço em mim que desconheço
a palavra anda descalça
entrelinhas que se cruzam
mensagem subjacente
do simples olhar que não se cruza
debruçada na janela da metamorfose
transforma-se
© Clivânia Teixeira
31 de janeiro de 2010
uma gaivota predileta
para johnjohn (in memorian)
foi-se o voo amigo
o acolher de almas
nos desertos que atravessava
foi-se a asa do recomeço
o fino trato do silêncio
o dizer das coisas simples
foi-se o ombro a esplanada
o filho da madrugada
que espantou a solidão
foi-se no passo confuso
partindo todo o sentido
num gesto involuntário
foi-se a tatear a eternidade
sem parar e mais alto
enquanto o vento soletra
o nome imponderável da saudade
© Clivânia Teixeira
foi-se o voo amigo
o acolher de almas
nos desertos que atravessava
foi-se a asa do recomeço
o fino trato do silêncio
o dizer das coisas simples
foi-se o ombro a esplanada
o filho da madrugada
que espantou a solidão
foi-se no passo confuso
partindo todo o sentido
num gesto involuntário
foi-se a tatear a eternidade
sem parar e mais alto
enquanto o vento soletra
o nome imponderável da saudade
© Clivânia Teixeira
23 de janeiro de 2010
elos
quando de um momento após o outro
os dias despedem-se e acolhem a noite
adensam-se em meu íntimo
os tão sublimes instantes
em que me afogo nas lembranças
e embriago-me de êxtases sonhados
pronunciadas dos lábios teus aos meus ouvidos
quando vem da penumbra
a sombra de teu olhar
e de um vento arquejante
murmúrios teus a me chamar
enlaço-me a ti assim
por elos inexplicáveis
mas que me unem também a certeza
de que nesta vida eu vim para te amar
© Clivânia Teixeira
os dias despedem-se e acolhem a noite
adensam-se em meu íntimo
os tão sublimes instantes
em que me afogo nas lembranças
e embriago-me de êxtases sonhados
pronunciadas dos lábios teus aos meus ouvidos
quando vem da penumbra
a sombra de teu olhar
e de um vento arquejante
murmúrios teus a me chamar
enlaço-me a ti assim
por elos inexplicáveis
mas que me unem também a certeza
de que nesta vida eu vim para te amar
© Clivânia Teixeira
namorar
tocar nas mãos e sentir na pele
a seiva que dilata as veias
sentir no rosto o sopro
do arfar de uma respiração
que pulsa ou alivia o intumescer de poros
vislumbrar entre olhares tímidos
o indizível das palavras
traduzir os rubores nos rumores
das sensações que transcendem as cores
vislumbrar o desnudar lento e paciente
das partes que lentamente nuas
revelam-se vulneráveis e inocentes
aos apelos ardentes da paixão
murmurar entre línguas e dentes
o fluir das sensações adormecidas
deslizar entre lábios úmidos
o entrelaçar de gemidos e beijos
nas bocas que saboreiam
o soletrar das sílabas da paixão
mergulhar no éter
e sentir a lua enternecida
guarnecida de noite a caminhar entre estrelas
perceber-se como se ela própria fosse
na cumplicidade dos mistérios
que somem no amanhecer dos dias
perceber-se o próprio dia despertar
sob os raios flamejantes do sol
um celebrar inconsumível de êxtase
do comungar dos seres, do sol e lua
indestrutível sintonia que paira no cosmo
tal qual um eclipse perene de nós
© Clivânia Teixeira
a seiva que dilata as veias
sentir no rosto o sopro
do arfar de uma respiração
que pulsa ou alivia o intumescer de poros
vislumbrar entre olhares tímidos
o indizível das palavras
traduzir os rubores nos rumores
das sensações que transcendem as cores
vislumbrar o desnudar lento e paciente
das partes que lentamente nuas
revelam-se vulneráveis e inocentes
aos apelos ardentes da paixão
murmurar entre línguas e dentes
o fluir das sensações adormecidas
deslizar entre lábios úmidos
o entrelaçar de gemidos e beijos
nas bocas que saboreiam
o soletrar das sílabas da paixão
mergulhar no éter
e sentir a lua enternecida
guarnecida de noite a caminhar entre estrelas
perceber-se como se ela própria fosse
na cumplicidade dos mistérios
que somem no amanhecer dos dias
perceber-se o próprio dia despertar
sob os raios flamejantes do sol
um celebrar inconsumível de êxtase
do comungar dos seres, do sol e lua
indestrutível sintonia que paira no cosmo
tal qual um eclipse perene de nós
© Clivânia Teixeira
sensualidade
misterioso reino
anjo e demônio mutante
incêndio que acalma
desejo em movimento
doçura e delírio mágico
que se consome
em sacrifício da paixão
© Clivânia Teixeira
anjo e demônio mutante
incêndio que acalma
desejo em movimento
doçura e delírio mágico
que se consome
em sacrifício da paixão
© Clivânia Teixeira
terminal
amor sublime amor
que sucumbe em poesia
e guarda em versos
as cinzas de um coração
© Clivânia Teixeira
que sucumbe em poesia
e guarda em versos
as cinzas de um coração
© Clivânia Teixeira
último pedido
preenche-me de teu vazio
silencia até findar
minha voz em sussurro
cerra todas as entradas
para que nenhuma porta aberta
me aguarde de soslaio
altera todas as rotas
até que meus pés
esqueçam de seguir teus passos
veste todos os disfarces
até que me canse de desvendar-te
seguirei plena de ti
meu vazio encontrará o teu
pois que inútil é o apelo
de findares em mim
© Clivânia Teixeira
silencia até findar
minha voz em sussurro
cerra todas as entradas
para que nenhuma porta aberta
me aguarde de soslaio
altera todas as rotas
até que meus pés
esqueçam de seguir teus passos
veste todos os disfarces
até que me canse de desvendar-te
seguirei plena de ti
meu vazio encontrará o teu
pois que inútil é o apelo
de findares em mim
© Clivânia Teixeira
um olhar de estrelas
migra o olhar no céu
onde o escuro é veludo
e a imagem do sonho
funde-se ao brilho das estrelas
é lá onde a lua toda magia
lembra-me teu sorriso
é quando a noite é algo assim
meiga e forma perfeita
de olhar estrelas
e pressentir delas a contemplação
como se teu fosse
o olhar a aquecer-me
sim, penduro-me a elas
por que sonhar é bom
© Clivânia Teixeira
onde o escuro é veludo
e a imagem do sonho
funde-se ao brilho das estrelas
é lá onde a lua toda magia
lembra-me teu sorriso
é quando a noite é algo assim
meiga e forma perfeita
de olhar estrelas
e pressentir delas a contemplação
como se teu fosse
o olhar a aquecer-me
sim, penduro-me a elas
por que sonhar é bom
© Clivânia Teixeira
beija a flor
tênue é o vôo
que vem do íntimo
olhares que migram
flor em flor
como a tornar possível
o alvo migrante
de etérea beleza
reino de melancolia
que invade o momento
e esvai-se lentamente
rio latejante, insinuante
a fluir entre as veias
pensamentos raros
delirantes, sutis
um respirar a insultar rumores
é como se perde o olhar
no contemplar de anjos,
de sonhos ou poesia
na rapidez do vôo
busca do que jamais se viu
ato contínuo a sugar o néctar
como se cada flor
fosse o sentir saudades
do algo que sequer viveu
© Clivânia Teixeira
que vem do íntimo
olhares que migram
flor em flor
como a tornar possível
o alvo migrante
de etérea beleza
reino de melancolia
que invade o momento
e esvai-se lentamente
rio latejante, insinuante
a fluir entre as veias
pensamentos raros
delirantes, sutis
um respirar a insultar rumores
é como se perde o olhar
no contemplar de anjos,
de sonhos ou poesia
na rapidez do vôo
busca do que jamais se viu
ato contínuo a sugar o néctar
como se cada flor
fosse o sentir saudades
do algo que sequer viveu
© Clivânia Teixeira
a ostra e a pérola
tanto que poderia dizer
desta sensação que sinto
é como se de ti
sempre fizesse parte
és a concha perfeita
manto madrepérola
abrigo de invasão e aconchego
é mesmo assim que sinto
quando me chamas pérola
neste espaço transatlântico
onde belo amanhece
o mesmo gesto belo
que anoitece em ti
amar até que do ato em si
nada mais reste em solidão ou dor
pois para que serve o amor
se não for esta a razão de ser
amar nesta razão intrínseca
como se tu fosses a ostra
e eu pérola entranhada de ti
© Clivânia Teixeira
desta sensação que sinto
é como se de ti
sempre fizesse parte
és a concha perfeita
manto madrepérola
abrigo de invasão e aconchego
é mesmo assim que sinto
quando me chamas pérola
neste espaço transatlântico
onde belo amanhece
o mesmo gesto belo
que anoitece em ti
amar até que do ato em si
nada mais reste em solidão ou dor
pois para que serve o amor
se não for esta a razão de ser
amar nesta razão intrínseca
como se tu fosses a ostra
e eu pérola entranhada de ti
© Clivânia Teixeira
repente poético
não sou poeta a fingir poesia
ou apenas versos que sabem a dor
sou metáfora e verdade nua
ante os olhos que sabem ler
sou subterfúgio e entrelinhas
sem rimas para espantar a dor
seja lá dor de saudade
seja lá dor de repente
por que sei que já faço tarde
estes versos que escrevo triste
noite afora uno as estrelas
e confusão de lua a cometer poesia
pois quem sabe da dor que conheço
conhece da dor que não sei fingir
© Clivânia Teixeira
ou apenas versos que sabem a dor
sou metáfora e verdade nua
ante os olhos que sabem ler
sou subterfúgio e entrelinhas
sem rimas para espantar a dor
seja lá dor de saudade
seja lá dor de repente
por que sei que já faço tarde
estes versos que escrevo triste
noite afora uno as estrelas
e confusão de lua a cometer poesia
pois quem sabe da dor que conheço
conhece da dor que não sei fingir
© Clivânia Teixeira
horizonte do olhar
o horizonte do olhar
eis o olhar
norte do caminho
que ousas seguir
seiva de entrelinhas
que desliza entre sorrisos
e palavras reticentes
tonalidade rubra
enfeite das interrogações
que pairam no ar
a exclamar suspiros
© Clivânia Teixeira
eis o olhar
norte do caminho
que ousas seguir
seiva de entrelinhas
que desliza entre sorrisos
e palavras reticentes
tonalidade rubra
enfeite das interrogações
que pairam no ar
a exclamar suspiros
© Clivânia Teixeira
amores platônicos e nem tanto assim
tudo em nós se sobrepõe ao tempo
somos irremediáveis como o existir
é na intensidade do que sentimos
que permanecemos abstraídos dos porquês
somos unos e intrínsecamente ligados
nem a presença pode nos tornar mais próximos
o sentimento per(segue)-nos independente
e sendo assim resta-nos fundir as letras
no gesto mágico de transformar a saudade
compomos o poema do alento
um sentir melancólico que invade o silêncio
olhares taciturnos contemplam o mar de janela nenhuma
mãos crispadas delatam
toda a impotência de um suspiro
conjugamos assim a sintonia
dos seres que amam com a cumplicidade de saber
que naquele instante
as vontades aqui e alhures coincidem
e tudo supera o racional que prepondera
ou deveria
© Clivânia Teixeira
somos irremediáveis como o existir
é na intensidade do que sentimos
que permanecemos abstraídos dos porquês
somos unos e intrínsecamente ligados
nem a presença pode nos tornar mais próximos
o sentimento per(segue)-nos independente
e sendo assim resta-nos fundir as letras
no gesto mágico de transformar a saudade
compomos o poema do alento
um sentir melancólico que invade o silêncio
olhares taciturnos contemplam o mar de janela nenhuma
mãos crispadas delatam
toda a impotência de um suspiro
conjugamos assim a sintonia
dos seres que amam com a cumplicidade de saber
que naquele instante
as vontades aqui e alhures coincidem
e tudo supera o racional que prepondera
ou deveria
© Clivânia Teixeira
escrever saudades
como transformar
esta ausência
em algo mais
que um simples poesia
como escrever o poema
desta saudade
Que me escapa entre os dedos
silêncios e um pequeno
suspiro que foge do peito
em rima solta
© Clivânia Teixeira
esta ausência
em algo mais
que um simples poesia
como escrever o poema
desta saudade
Que me escapa entre os dedos
silêncios e um pequeno
suspiro que foge do peito
em rima solta
© Clivânia Teixeira
seres amorfos
almas frias onde a tristeza
é por vezes a cadência que
marca os passos
indiferença tosca
que se julga sábia
embalada pelo silêncio notívago
seres frágeis
que se resguardam entre sons monossilábicas
e decisões unilaterais
ícones glaciais do egoísmo
estrelas natimortas que não amam
e quando assim é julgam-se doentes
seres que não incendeiam emoções
apenas morrem imperceptíveis e lentamente
como os sonhos que trituram no íntimo das entranhas
© Clivânia Teixeira
é por vezes a cadência que
marca os passos
indiferença tosca
que se julga sábia
embalada pelo silêncio notívago
seres frágeis
que se resguardam entre sons monossilábicas
e decisões unilaterais
ícones glaciais do egoísmo
estrelas natimortas que não amam
e quando assim é julgam-se doentes
seres que não incendeiam emoções
apenas morrem imperceptíveis e lentamente
como os sonhos que trituram no íntimo das entranhas
© Clivânia Teixeira
Assinar:
Postagens (Atom)