para johnjohn (in memorian)
foi-se o voo amigo
o acolher de almas
nos desertos que atravessava
foi-se a asa do recomeço
o fino trato do silêncio
o dizer das coisas simples
foi-se o ombro a esplanada
o filho da madrugada
que espantou a solidão
foi-se no passo confuso
partindo todo o sentido
num gesto involuntário
foi-se a tatear a eternidade
sem parar e mais alto
enquanto o vento soletra
o nome imponderável da saudade
© Clivânia Teixeira
31 de janeiro de 2010
23 de janeiro de 2010
elos
quando de um momento após o outro
os dias despedem-se e acolhem a noite
adensam-se em meu íntimo
os tão sublimes instantes
em que me afogo nas lembranças
e embriago-me de êxtases sonhados
pronunciadas dos lábios teus aos meus ouvidos
quando vem da penumbra
a sombra de teu olhar
e de um vento arquejante
murmúrios teus a me chamar
enlaço-me a ti assim
por elos inexplicáveis
mas que me unem também a certeza
de que nesta vida eu vim para te amar
© Clivânia Teixeira
os dias despedem-se e acolhem a noite
adensam-se em meu íntimo
os tão sublimes instantes
em que me afogo nas lembranças
e embriago-me de êxtases sonhados
pronunciadas dos lábios teus aos meus ouvidos
quando vem da penumbra
a sombra de teu olhar
e de um vento arquejante
murmúrios teus a me chamar
enlaço-me a ti assim
por elos inexplicáveis
mas que me unem também a certeza
de que nesta vida eu vim para te amar
© Clivânia Teixeira
namorar
tocar nas mãos e sentir na pele
a seiva que dilata as veias
sentir no rosto o sopro
do arfar de uma respiração
que pulsa ou alivia o intumescer de poros
vislumbrar entre olhares tímidos
o indizível das palavras
traduzir os rubores nos rumores
das sensações que transcendem as cores
vislumbrar o desnudar lento e paciente
das partes que lentamente nuas
revelam-se vulneráveis e inocentes
aos apelos ardentes da paixão
murmurar entre línguas e dentes
o fluir das sensações adormecidas
deslizar entre lábios úmidos
o entrelaçar de gemidos e beijos
nas bocas que saboreiam
o soletrar das sílabas da paixão
mergulhar no éter
e sentir a lua enternecida
guarnecida de noite a caminhar entre estrelas
perceber-se como se ela própria fosse
na cumplicidade dos mistérios
que somem no amanhecer dos dias
perceber-se o próprio dia despertar
sob os raios flamejantes do sol
um celebrar inconsumível de êxtase
do comungar dos seres, do sol e lua
indestrutível sintonia que paira no cosmo
tal qual um eclipse perene de nós
© Clivânia Teixeira
a seiva que dilata as veias
sentir no rosto o sopro
do arfar de uma respiração
que pulsa ou alivia o intumescer de poros
vislumbrar entre olhares tímidos
o indizível das palavras
traduzir os rubores nos rumores
das sensações que transcendem as cores
vislumbrar o desnudar lento e paciente
das partes que lentamente nuas
revelam-se vulneráveis e inocentes
aos apelos ardentes da paixão
murmurar entre línguas e dentes
o fluir das sensações adormecidas
deslizar entre lábios úmidos
o entrelaçar de gemidos e beijos
nas bocas que saboreiam
o soletrar das sílabas da paixão
mergulhar no éter
e sentir a lua enternecida
guarnecida de noite a caminhar entre estrelas
perceber-se como se ela própria fosse
na cumplicidade dos mistérios
que somem no amanhecer dos dias
perceber-se o próprio dia despertar
sob os raios flamejantes do sol
um celebrar inconsumível de êxtase
do comungar dos seres, do sol e lua
indestrutível sintonia que paira no cosmo
tal qual um eclipse perene de nós
© Clivânia Teixeira
sensualidade
misterioso reino
anjo e demônio mutante
incêndio que acalma
desejo em movimento
doçura e delírio mágico
que se consome
em sacrifício da paixão
© Clivânia Teixeira
anjo e demônio mutante
incêndio que acalma
desejo em movimento
doçura e delírio mágico
que se consome
em sacrifício da paixão
© Clivânia Teixeira
terminal
amor sublime amor
que sucumbe em poesia
e guarda em versos
as cinzas de um coração
© Clivânia Teixeira
que sucumbe em poesia
e guarda em versos
as cinzas de um coração
© Clivânia Teixeira
último pedido
preenche-me de teu vazio
silencia até findar
minha voz em sussurro
cerra todas as entradas
para que nenhuma porta aberta
me aguarde de soslaio
altera todas as rotas
até que meus pés
esqueçam de seguir teus passos
veste todos os disfarces
até que me canse de desvendar-te
seguirei plena de ti
meu vazio encontrará o teu
pois que inútil é o apelo
de findares em mim
© Clivânia Teixeira
silencia até findar
minha voz em sussurro
cerra todas as entradas
para que nenhuma porta aberta
me aguarde de soslaio
altera todas as rotas
até que meus pés
esqueçam de seguir teus passos
veste todos os disfarces
até que me canse de desvendar-te
seguirei plena de ti
meu vazio encontrará o teu
pois que inútil é o apelo
de findares em mim
© Clivânia Teixeira
um olhar de estrelas
migra o olhar no céu
onde o escuro é veludo
e a imagem do sonho
funde-se ao brilho das estrelas
é lá onde a lua toda magia
lembra-me teu sorriso
é quando a noite é algo assim
meiga e forma perfeita
de olhar estrelas
e pressentir delas a contemplação
como se teu fosse
o olhar a aquecer-me
sim, penduro-me a elas
por que sonhar é bom
© Clivânia Teixeira
onde o escuro é veludo
e a imagem do sonho
funde-se ao brilho das estrelas
é lá onde a lua toda magia
lembra-me teu sorriso
é quando a noite é algo assim
meiga e forma perfeita
de olhar estrelas
e pressentir delas a contemplação
como se teu fosse
o olhar a aquecer-me
sim, penduro-me a elas
por que sonhar é bom
© Clivânia Teixeira
beija a flor
tênue é o vôo
que vem do íntimo
olhares que migram
flor em flor
como a tornar possível
o alvo migrante
de etérea beleza
reino de melancolia
que invade o momento
e esvai-se lentamente
rio latejante, insinuante
a fluir entre as veias
pensamentos raros
delirantes, sutis
um respirar a insultar rumores
é como se perde o olhar
no contemplar de anjos,
de sonhos ou poesia
na rapidez do vôo
busca do que jamais se viu
ato contínuo a sugar o néctar
como se cada flor
fosse o sentir saudades
do algo que sequer viveu
© Clivânia Teixeira
que vem do íntimo
olhares que migram
flor em flor
como a tornar possível
o alvo migrante
de etérea beleza
reino de melancolia
que invade o momento
e esvai-se lentamente
rio latejante, insinuante
a fluir entre as veias
pensamentos raros
delirantes, sutis
um respirar a insultar rumores
é como se perde o olhar
no contemplar de anjos,
de sonhos ou poesia
na rapidez do vôo
busca do que jamais se viu
ato contínuo a sugar o néctar
como se cada flor
fosse o sentir saudades
do algo que sequer viveu
© Clivânia Teixeira
a ostra e a pérola
tanto que poderia dizer
desta sensação que sinto
é como se de ti
sempre fizesse parte
és a concha perfeita
manto madrepérola
abrigo de invasão e aconchego
é mesmo assim que sinto
quando me chamas pérola
neste espaço transatlântico
onde belo amanhece
o mesmo gesto belo
que anoitece em ti
amar até que do ato em si
nada mais reste em solidão ou dor
pois para que serve o amor
se não for esta a razão de ser
amar nesta razão intrínseca
como se tu fosses a ostra
e eu pérola entranhada de ti
© Clivânia Teixeira
desta sensação que sinto
é como se de ti
sempre fizesse parte
és a concha perfeita
manto madrepérola
abrigo de invasão e aconchego
é mesmo assim que sinto
quando me chamas pérola
neste espaço transatlântico
onde belo amanhece
o mesmo gesto belo
que anoitece em ti
amar até que do ato em si
nada mais reste em solidão ou dor
pois para que serve o amor
se não for esta a razão de ser
amar nesta razão intrínseca
como se tu fosses a ostra
e eu pérola entranhada de ti
© Clivânia Teixeira
repente poético
não sou poeta a fingir poesia
ou apenas versos que sabem a dor
sou metáfora e verdade nua
ante os olhos que sabem ler
sou subterfúgio e entrelinhas
sem rimas para espantar a dor
seja lá dor de saudade
seja lá dor de repente
por que sei que já faço tarde
estes versos que escrevo triste
noite afora uno as estrelas
e confusão de lua a cometer poesia
pois quem sabe da dor que conheço
conhece da dor que não sei fingir
© Clivânia Teixeira
ou apenas versos que sabem a dor
sou metáfora e verdade nua
ante os olhos que sabem ler
sou subterfúgio e entrelinhas
sem rimas para espantar a dor
seja lá dor de saudade
seja lá dor de repente
por que sei que já faço tarde
estes versos que escrevo triste
noite afora uno as estrelas
e confusão de lua a cometer poesia
pois quem sabe da dor que conheço
conhece da dor que não sei fingir
© Clivânia Teixeira
horizonte do olhar
o horizonte do olhar
eis o olhar
norte do caminho
que ousas seguir
seiva de entrelinhas
que desliza entre sorrisos
e palavras reticentes
tonalidade rubra
enfeite das interrogações
que pairam no ar
a exclamar suspiros
© Clivânia Teixeira
eis o olhar
norte do caminho
que ousas seguir
seiva de entrelinhas
que desliza entre sorrisos
e palavras reticentes
tonalidade rubra
enfeite das interrogações
que pairam no ar
a exclamar suspiros
© Clivânia Teixeira
amores platônicos e nem tanto assim
tudo em nós se sobrepõe ao tempo
somos irremediáveis como o existir
é na intensidade do que sentimos
que permanecemos abstraídos dos porquês
somos unos e intrínsecamente ligados
nem a presença pode nos tornar mais próximos
o sentimento per(segue)-nos independente
e sendo assim resta-nos fundir as letras
no gesto mágico de transformar a saudade
compomos o poema do alento
um sentir melancólico que invade o silêncio
olhares taciturnos contemplam o mar de janela nenhuma
mãos crispadas delatam
toda a impotência de um suspiro
conjugamos assim a sintonia
dos seres que amam com a cumplicidade de saber
que naquele instante
as vontades aqui e alhures coincidem
e tudo supera o racional que prepondera
ou deveria
© Clivânia Teixeira
somos irremediáveis como o existir
é na intensidade do que sentimos
que permanecemos abstraídos dos porquês
somos unos e intrínsecamente ligados
nem a presença pode nos tornar mais próximos
o sentimento per(segue)-nos independente
e sendo assim resta-nos fundir as letras
no gesto mágico de transformar a saudade
compomos o poema do alento
um sentir melancólico que invade o silêncio
olhares taciturnos contemplam o mar de janela nenhuma
mãos crispadas delatam
toda a impotência de um suspiro
conjugamos assim a sintonia
dos seres que amam com a cumplicidade de saber
que naquele instante
as vontades aqui e alhures coincidem
e tudo supera o racional que prepondera
ou deveria
© Clivânia Teixeira
escrever saudades
como transformar
esta ausência
em algo mais
que um simples poesia
como escrever o poema
desta saudade
Que me escapa entre os dedos
silêncios e um pequeno
suspiro que foge do peito
em rima solta
© Clivânia Teixeira
esta ausência
em algo mais
que um simples poesia
como escrever o poema
desta saudade
Que me escapa entre os dedos
silêncios e um pequeno
suspiro que foge do peito
em rima solta
© Clivânia Teixeira
seres amorfos
almas frias onde a tristeza
é por vezes a cadência que
marca os passos
indiferença tosca
que se julga sábia
embalada pelo silêncio notívago
seres frágeis
que se resguardam entre sons monossilábicas
e decisões unilaterais
ícones glaciais do egoísmo
estrelas natimortas que não amam
e quando assim é julgam-se doentes
seres que não incendeiam emoções
apenas morrem imperceptíveis e lentamente
como os sonhos que trituram no íntimo das entranhas
© Clivânia Teixeira
é por vezes a cadência que
marca os passos
indiferença tosca
que se julga sábia
embalada pelo silêncio notívago
seres frágeis
que se resguardam entre sons monossilábicas
e decisões unilaterais
ícones glaciais do egoísmo
estrelas natimortas que não amam
e quando assim é julgam-se doentes
seres que não incendeiam emoções
apenas morrem imperceptíveis e lentamente
como os sonhos que trituram no íntimo das entranhas
© Clivânia Teixeira
a paz da noite
fogem-me do papel as palavras
voam as intenções mudas
navego para o recanto
onde a paz é notívaga
pouso-me suspensa
no sonho de penumbra
entre seres inanimados
e olhares alados sorrio
deslizo suave entre os abraços
das mãos que me percebem inteira
e adormeço na intimidade dos gestos
que acalentam o corpo da alma
nas noites que deveriam
ser para dormir e não são
© Clivânia Teixeira
voam as intenções mudas
navego para o recanto
onde a paz é notívaga
pouso-me suspensa
no sonho de penumbra
entre seres inanimados
e olhares alados sorrio
deslizo suave entre os abraços
das mãos que me percebem inteira
e adormeço na intimidade dos gestos
que acalentam o corpo da alma
nas noites que deveriam
ser para dormir e não são
© Clivânia Teixeira
interregno
a tarde põe-se púrpura
anoitecendo o dia
na penumbra o eco da voz
acende no horizonte íntimo
a centelha que ilumina o sorriso
silêncios e segredos trançados
ss tristezas outonam
e ferve em primavera a alma
na calma da noite
uma flor veste-se de amarelo
para o sol amanhã
© Clivânia Teixeira
anoitecendo o dia
na penumbra o eco da voz
acende no horizonte íntimo
a centelha que ilumina o sorriso
silêncios e segredos trançados
ss tristezas outonam
e ferve em primavera a alma
na calma da noite
uma flor veste-se de amarelo
para o sol amanhã
© Clivânia Teixeira
namorados
os lábios tremem
O coração aquece
o olhar desfalece
a boca sucumbe ao beijo
e a palavra é inteira
entre corpos
dizendo eu te amo
© Clivânia Teixeira
O coração aquece
o olhar desfalece
a boca sucumbe ao beijo
e a palavra é inteira
entre corpos
dizendo eu te amo
© Clivânia Teixeira
cárcere invisível
olhares atentos
aos gestos atônitos
dedos que estampam
a poesia do medo
um silêncio imposto
a interrogações nuas
entendimento obtuso
atitudes omissas
a vontade primordial
de ir e renascer livre
até de mim mesmo
© Clivânia Teixeira
aos gestos atônitos
dedos que estampam
a poesia do medo
um silêncio imposto
a interrogações nuas
entendimento obtuso
atitudes omissas
a vontade primordial
de ir e renascer livre
até de mim mesmo
© Clivânia Teixeira
medo
por vezes sinto medo
é quando os dias rolam
noites escuras em gestos líquidos
gotas de orvalho que acalentam a alma
em silêncio o momento acalma
os olhos encerram o olhar
e dormem para acordar os sonhos
© Clivânia Teixeira
é quando os dias rolam
noites escuras em gestos líquidos
gotas de orvalho que acalentam a alma
em silêncio o momento acalma
os olhos encerram o olhar
e dormem para acordar os sonhos
© Clivânia Teixeira
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