A rota das emoções No norte do sentir Um coração a bater No corpo a pulsar Um nome em suspiros Nos subterfúgios dos lábios O gesto intermitente De não se perder Na intimidade da alma
Hoje finalizando este livro que saltou da estante numa busca despretenciosa dias atrás.
A coincidência antes que mais alguém aponte é o fato deste romance ser sobre um padre jesuita português e sua missão idealista no Japão. Duas coisas me chamaram a atenção, o grande diálogo na observação interior feita pelo padre diante do silêncio divino nos momentos difíceis vivenciados e a compreensão sobre o papel de judas. É de admirar a presença dos portugueses em tantos momentos na história da humanidade. Interessante também as adaptações que o cristianismo vem passando para se adaptar às diversas culturas no ocidente e no oriente.Em breve nos cinemas com uma adptação de Martin Scorsese
Se não sigo a mesmice de alguns é por encontrar algo melhor pelas estradas da vida, caminhos que percorro na penumbra do íntimo a maior parte em silêncio e de mãos dadas com àqueles que de fato são aliados do meu pensar, do meu sentir, do meu ser por vezes diferente, ou indiferente. Eis a questão.
O que faz os seres humanos especiais uns aos outros é a capacidade que possuem de despertarem-se mutuamente acendendo as emoções da alma, não importa a hora!
Letra/poema maravilhoso de Vasco Graça Moura, musicado pelo guitarrista Mário Pacheco, e na esquina deste encontro nasce esta linda interpretação na voz de Carminho...
Talvez digas um dia o que me queres,
Talvez não queiras afinal dizê-lo,
Talvez passes a mão no meu cabelo,
Talvez não pense em ti talvez me esperes.
Talvez, sendo isto assim, fosse melhor
Falhar-se o nosso encontro por um triz
Talvez não me afagasses como eu quis,
Talvez não nos soubéssemos de cor.
Mas não sei bem, respostas não mas dês.
Vivo só de murmúrios repetidos,
De enganos de alma e fome dos sentidos,
Talvez seja cruel, talvez, talvez.
Se nada dás, porém, nada te dou
Neste vaivém que sempre nos sustenta,
E se a própria saudade nos inventa,
Não sei talvez quem és mas sei quem sou.
O sentir tem o poder inexorável de quase possuir a alma do outro sem que ele assim se determine...E neste cenário dizer sobre esse sentir pesa na língua da alma
A noite sombria da alma (São João da Cruz)
Em uma noite sombria / A chama do amor estava a arder em meu peito
E, no clarão de uma lanterna / Fugi de casa enquanto todos dormiam
Encoberto pela noite / e pelo meu destino incerto rapidamente corria
O véu ocultava os meus olhos / Enquanto todos em casa repousavam como mortos.
– Refrão:
Ó, noite, tu fostes o meu guia
Ó, noite, mais adorável que o nascer do sol
Ó, noite, que uniu o amante à amada
Transformando cada um deles um no outro.
Adentro esta noite nevoenta / Em segredo, para além do espectro mortal
Sem um guia ou luz / Senão a que ardia tão profundamente em meu coração.
Esta chama que me guiava / Com brilho mais claro que o do sol do meio-dia
Para onde ele aguardava, imóvel / Era um lugar onde ninguém mais podia chegar
- Refrão
Dentro do meu palpitante coração / Que se guardou inteiramente para ele
Ele mergulhou no seu sono / Debaixo do cedros, todo o meu amor eu dei
E, pelos muros da fortaleza / O vento roçava seus cabelos contra a sua testa.
E com sua mão macia / Acariciava todos os meus sentidos possíveis
- Refrão
Eu me entreguei a ele / E repousei minha face nos seios do meu amor
A inquietação e a tristeza turvaram-se / Enquanto na névoa da manhã fazia-se a luz / E lá elas dissiparam-se por entre os belos lírios.
Por vezes o mundo é a intimidade que habito
E o irmão mais próximo cabe na palma do universo
E o amor mais profundo tem a imensidão das galáxias
Por vezes escrevo teu nome em abismos, outras vezes
Em paraísos, mas sempre sempre
A eternidade és tu amanhã
Reverencio para sempre as almas prontas para a posteridade. É gratificante perceber que estas não estão e nem pouco são, regidas por metrias tais como tom de pele, moedas, quilogramas, centímetros, status ou crenças, mas são absolutamente mensuráveis numa medida chamada realização, ou seja definitivamente escrevem seu nome tecendo fatos na teia da vida.
De uma beleza impar, assim é a forma de dizer no feminino.
Esta trova foi escrita por D. Dinis, 6º Rei de Portugal, esposo da Rainha Santa Dona Isabel, o mesmo que fundou a Universidade de Coimbra e responsável pela existência dos pinhais de Leiria, segundo dizem o primeiro rei alfabetizado de Portugal.
Abaixo um pouco sobre este tipo de cantiga.
As cantigas de amigo
As cantigas de amigo são um tipo dentre as cantigas do Trovadorismo, poesias feitas para serem entoadas nas ruas acompanhadas por música. Compostas por trovadores, cantadas por eles mesmos ou apenas por cantores, os jograis; assim eram as cantigas portuguesas do século XIII.
No início deste século, Portugal vivia, sob o reinado de D. Afonso II, um período de desenvolvimento comercial e expansão econômica e a consolidação de uma sociedade extremamente religiosa católica e com resquícios e influências do domínio árabe na região. Já no final do século, o rei D. Dinis incentivou a cultura nacional, determinando que os documentos oficias fossem escritos em português e não mais em latim e criando a primeira universidade portuguesa, a Universidade de Coimbra.
Na literatura medieval havia a poesia lírica francesa, escrita em provençal, a poesia ibérica épica, em castellano, e a poesia ibérica lírica, em galego- português; é a esta última que as cantigas de amigo pertencem. Estas possuem um caráter local e, por comunicarem-se por via oral, são rítmicas e versificadas.
As cantigas de amigo eram compostas por homens usando a voz feminina, tratavam de temas femininos, como o da mulher só, cujo "amigo" (amado/amante) foi para a guerra ou para o mar, o da mulher abandonada e o da mulher feliz. Estas cantigas, provavelmente, são influência da literatura árabe, na qual um gênero de cantares é a regueifa, que usa temas femininos, escritos por homens como se fossem mulheres. Na maior parte das cantigas os trovadores usam a voz da mulher para transmitir o ponto de vista masculino sobre sentimentos e atitudes femininos e ironizar a mulher que tentava transgredir os padrões sociais, usando o tema do amor, da coita (ou sofrimento) e da morte por amor.
Na sociedade portuguesa do século XIII as mulheres, mesmo as damas da corte, não tinham um papel importante, ou mesmo um papel, na produção intelectual. A maioria delas nem sabiam ler e escrever, viviam para criação dos filhos e cuidar do marido, escolhido por seus pais, muitas vezes por interesses econômicos, eram mulheres mudas social e intelectualmente, não tinham o direito de expressar o que sentiam ou o que achavam sobre o mundo. Tinham apenas o dever de serem obedientes esposas e fervorosas católicas.
O pouco que sabemos sobre como, realmente, eram é por mulheres que desobedeceram a sociedade, como as trobairitz francesas, que dominaram a escrita e penetraram no mundo intelectual, escrevendo trovas e contos que demonstraram que as mulheres sentem, desejam e lutam pelos seus homens.
Lírica galego-portuguesa - língua falada em Portugal no sec. XIII e XIV
A extraordinária arte que faz do lixo um luxo, pelos olhos e sensibilidade desse grande artista que é o Vik Muniz.
Compartilho aqui o documentário completo, generosamente compartilhado pela Simone Pessoa, escritora de grande percepção que tem o dom de contemplar as coisas do mundo e dizer sobre essas coisas com maestria.
Existem pessoas que entram em nossas vidas como um raio a iluminar o sorriso.
Vera Mourão,um grande olhar que nos detém numa marca registrada: alegria de viver.
Sinceramente acredito que uma só vida não basta para desfrutar das pessoas especiais, e ainda bem que acredito em outras vidas.
Até um dia mulher sorriso, agradeço a Deus por ter tido a graça de cruzar o seu caminho.
Evito o quanto posso falar ou escrever sobre religião e eis que aqui não é o caso. Trata-se de uma abordagem simples e sem alardes sobre a diversidade dos caminhos que levam a Deus.
Tenho refletido acerca da fé, sem que isso seja alvo em meu ser de grandes inquietudes ou de buscas frenéticas, afinal parto de um ponto: acredito em Deus.
Costumo respeitar todos os credos e todos os que crêem, procuro abolir interferências invasivas sobre a minha forma de ser e estar na religiosidade e admiro as descobertas de todos em busca da espiritualidade.
Duas frases neste quesito me marcaram profundamente nos últimos tempos, a primeira delas dita por Shri Mataji Nirmala Devi, fundadora da Sahaja Yoga*: As religiões são pétalas de uma mesma flor. A segunda lida na biografia do Steve Jobs, onde ele expõe a seguinte reflexão: O cristianimo perde sua essência quando fica baseado demais na fé em vez de viver como Jesus ou ver o mundo como Jesus o viu. Acho que as diferentes religiões são portas diferentes para a mesma casa. As vezes, acho que a casa existe e às vezes não. É o grande mistério.
Citações ditas por pessoas que admiro profundamente e que vivenciaram este mundo, assim como eu vivencio.
Estas frases traduzem os caminhos polifurcados em busca de Deus, aqui me refiro a pluralidade dos caminhos e jamais a caminhos errados, até por que o resultado da trajetória do erro é o acerto e/ou o aperfeiçoamento interior, o qual contribui para a reforma íntima de todos os seres.
O direito de ser e estar dentro daquilo que se acredita é sagrado, e a meu ver é também percorrendo os múltiplos caminhos que chegaremos a esta Inteligência suprema que é Deus.
Concordo integralmente com Shri Mataji e ao contrário do Steve Jobs, acredito que a casa exista.
Possa Deus abençoar cada olhar que passar por aqui
A vida encanta
Mensagens por dentro
Das mensagens
Ao alcance das melodias
Um sempre falar disperso
Repleto de entrelinhas
Capto no descompasso do coração
Um olhar que não se perde do meu
De mãos dadas
O passo é firme ao horizonte
Em momentos assim
Sobre o acolhimento do ser
Nada mais a dizer
Do peito mais perfeito
A paz para descansar
Escapa-se num suspiro
Na batida do coração
Um brinde ao maior amor
Eternamente tu
Hoje, sempre, amanhã
Existem seres, coisas e momentos que se transformados em palavras empobrecem, sobretudo no que diz respeito ao que une duas pessoas.
São coisas simples como o ponto de encontro que se estabelece entre dois seres na contemplação de obras de arte, o simples olhar a lua, ouvir música, ler as mesmas obras ao abrigo de um espaço tempo diferentes.
A magia do longe quando estes seres estão materialmente afastados, proporciona uma sinergia de cumplicidade intocável e a compreensão de que para estar perto não precisa estar juntos.
São instantes que beiram a perfeição e leva a um êxtase de alma, são destas coisas indescritíveis que se tece o infinito significado do amor.
Na ausência do tempo do encontro fica registrado que eu precisava sempre encontrar você no meio do caminho, sem que isso fosse um encontro de horas marcadas, sem que precisássemos dizer a quanto tempo, e em outro momento dizer adeus, para alguns eu diria que nossa vidas foram feitas simplesmente para estar uma nos braços da outra sem que isso significasse mais que isso mesmo. E assim dedico músicas no tempo que já não nos pertence, por que fazer poesia do enorme prazer que é desfrutar desta mútua existência é fácil, basta fechar os olhos e perceber que respiro melhor. Nas nuvens que se dissipam ao amanhecer eu escrevo seu nome infinitamente.